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Carta para Bruna

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Querida Bruna, saudades suas, saudades de nós. O Natal bate à porta e eu não quero deixá-lo entrar. Todas as decorações natalinas que preenchem as ruas e entopem as lojas, invadem os meus olhos, mas esvaziam o meu coração. Afinal, não trago boas lembranças do nosso último Natal.  Lembro-me que você trajava um lindo vestido verde que destacava o âmbar dos seus olhos. Contudo, sua face neutralizava qualquer tentativa minha de perdão. A mensagem pelo celular era incontestável, mas acredite querida foi fruto de um ato impensado. O meu caso com Íris foi uma fraqueza, sei que disse isso milhares de vezes, acredite foi uma das minhas mancadas. Pensei que me perdoaria, pois você me perdoou outras vezes, eu esperava que dessa vez fosse acontecer o mesmo. Ledo engano.  Passei um ano infernal, você não quis me ver. Estou vagando pelas ruas coloridas, onde ressoam cantigas natalinas e estimulam o amolecimento do coração. Eu sou ateu, mas se acreditasse em Deus, rogaria a Ele ...

Ao devotado amigo

Devotado amigo,  hoje não quero mais viver. Prefiro a companhia dos decrépitos vermes aos "bons amigos" que eu possa ter. Da vida nada usufrui. Tudo o que adquiri coube numa valise de mão. Filhos, eu acho que não os tive, não suporto choro de criança, aliás, confesso preferia ter nascido adulto, que fase desgastante  é essa da infância e juventude. Sobre o amor, prefiro adiar esse assunto, porque acho que eu nunca fui capaz de descobrir o que é um amor no "duro". Lembro-me vagamente de Constância, loura, bilíngue, organizada e acima de tudo boa de cama. Pois bem, meu amigo, eu não sei se devo ser tão  sincero, além disso, desfrutaste comigo  alguns momentos, que por assim dizer,  for am os mais belos   Vivíamos regados à c erveja outras vezes vinho. Farras intermináveis, madrugada a fora. Lembra-se do Pedro Ernesto, o musico deprimido? Pois é, enforcou-se com as cordas da viola. Dizem que foi por causa do seu amor secreto por Rodrigo, outros af...