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Vice-e-versa

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Pintura Os Bêbedos ou Festejando S. Marinho (1907) de José Malhoa Não me venha com teus queixumes! tuas auguras, teus pesares. Tu não acreditas em Deus. Para ti só vale o que o dinheiro pode dar. A matéria é o que interessa não te interessas o que a alma por ventura trás. Se vale tua vida, o teu copo de cólera bebida. Arde quente pela goela seca clama na mente esvazia alma demente vida louca pura inconsequente. Vice e versa nada para ti vale, a vida acaba do pó ao pó. O legado que deixas insanidade angustia tristeza A teus filhos nada alem da tua bebedeira. Lu Ribeiro

Linguagem I

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Quando os meus olhos procuram tua boca percebo a tua angústia. Frágeis pensamentos sólidos sofrimentos efêmera fuga. A boca a língua mergulha sela no silêncio da noite  teu grito, minha súplica. Lu Ribeiro

Declaração I

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Declaro aos nossos sentidos ardentes lampejos sonhos vincados,  falácias mudas meu desejo. LU RIBEIRO .

Todo ano a mesma coisa

Janeiro cheio de alegria e despesas muitas contas para pagar. Fevereiro folia na cabeça muitos blocos para pular. Chega março com suas águas e o outono anunciar. Abril achocolatado a dieta foi para o espaço. Maio as flores anunciam casórios e outros casos. Junho em festa Antonio, João e  Pedro arrrasta pés dos enamorados. Metado do ano , frio e chuvas Julho começado. Em agosto ventos, uivos, muitos cachorros, Omulu é reverenciado. Em setembro primavera Muitas florss, amor espalhado. Outubro salve Aparecida, doces crianças, somos abençoados. Novembro dos escorpianos e sagitários, Alegram-se os animos, festejos são esperados. Dezembro contagem regressiva fim do ano aproximando. Muita coisa para organizar os projetos acabando, outros tantos para formular. E nesse círculo incessante, Somos levados a cirandar É a vida que nos leva e fingimos não notar.

Sex olhar

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Sexo no olhar parece impossível, mas para quem ama Tudo é admissível Tudo é permissível, a alma entregar . Navegar nas palavras das horas perdidas. Naufragar as bocas ser “boquilíngua” ser ávida ser ilícita igual a do poeta sugado. das lágrimas colhidas do amor sentido da vida na praça olhares das bocas unidas do sexo feito do coito perfeito das promessas proferidas nossas almas se entregaram. Intangível Imensurável Sexo feito no anima. Do olho na boca clama Do mergulho sem medo no olhar. LU RIBEIRO ***Inspirado no poema "Sugar e ser sugado pelo Amor" de Carlos Drummond

Matinal

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O dia revela: O copo cheio de café, O pão com manteiga O chocolate com leite, O sonho deleite. Abro o jornal, aroma de café. Bom, por sinal. Você retribui   com sorriso dominical. Caiu café na toalha angelical. Não faz mal! Tão alva,  tão pura, tão estúpida. Pouso olhos sobre o jornal Os olhos da criatura fita-me de maneira desigual. Reflito: “Não faz mal...” Afinal ela prefere assim: simula que gosta, simulo que leio toda família comercial de margarina finge todos os dias que: O café é  ideal O pão é sensacional A margarina não tem sal. Lu Ribeiro

Gato Preto

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  Beco-Boipeba- jan-2010-by Luauribeiro De olho  no beco O gato preto Vela a paz do gueto. O preto gato espreita O rato brincando no bueiro. O passo largo, O medo, O preto camuflado, O cheiro de medo. O Tiro O grito O desespero. Mais um corpo estendido no beco, estreito, preto. Negro gato espreita Outro rato muito mais rápido. Espreita, espera a outra viela, assim nunca termina o cerco.       LU RIBEIRO