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Tentativa

Ladeado de sombras vivem os meus supostos poemas. Por vezes, me causam assombro outras tantas dão muita pena. Não sei mensurar esse abandono, uma busca interna na indiferença, uma luz difusa por entre as janelas, flashes de sonhos construídos a duras penas. E assim, permito ocultar-me, espio, mas não abre a porta da sentinela. Numa enxurrada de letras, frases sem efeito, pontuação sem contexto, sepultam no meu peito meus supostos poemas.

A versão ou mama

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Alimento-me de sua impaciência, não dá para ser complacente permito-me ser consciênte. Afinal, não há nada tão indecênte quanto o sorriso fosco que se insinua a cada canteiro que atravessa o meu passeio quando inadivertidamente encontro um pedinte  honeroso, suposto honroso prometer-me os louros que um votinho traz. Aliás, cada rostinho fake esconde um mostrinho  que deseja mamar no cofrinho do dinheiro do povinho.

Imoral

Te Imaculei  te violei  Impus-me diante tua pureza surgi impiedosa Inevitável nódoa.

Oscilante

Maré baixa cato  contas procuro os passos vestígios do passado Quando  menina pisava distraída na minha sina. Maré alta flutuo em sonhos não sinto os pés Os braços mergulham na saudade afagam os cabelos de minha avó Longas ondas que me enlaçam aconchego não estou só.

Para Robin Williams

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Lacrei os sentimentos no envelope Na gaveta ficaram os desejos Pus no armário os sonhos Restou-me os ossos Expostos na estante Ficaram os olhos Enfim, sepultei-me Agora vivo feliz

Meu caminho não é o dele

No meio do meu caminho tinha um menino Tinha um menino no meio do meu caminho Tinha um menino dormindo No meio do meu caminho tinha um menino perdido. Nunca me esquecerei desse aparecimento um fio de vida ficou tatuado na minha retina Nunca me esquecerei que no meio do meu caminho tinha um menino entumecido Tinha um menino no meio do caminho no meio do caminho tinha um menino desfalecido.

Caçada

Volta à época das cavernas mulherada desesperada a espreita na calada da noite a morte certa.