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Mostrando postagens de Setembro, 2013

à vera

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Joguei a toalha
depois que você jogou sujo
por fim, perdemos o rumo.

Pensando 3

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Estou farta de papo cabeça,
eu quero me fartar de corpo inteiro.

Pensando 2

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Primavera chegou para alguns e 

para outros  não, pois  estes teimam em discutir 

pensamentos outonais.

O presente de Will

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O presente
roubou meu sono,
fui pega no contrapé.
Um poema 
um lisonjo
uma exaltação à mulher.

Teu presente
meu assombro.
Fui fisgada pelo pé:
armadilha
contraponto,
apreciação de voyeur.

O meu presente
num terceto
seja lindo igarapé.
Duas ilhas
um enredo
adução de bem-me-quer.         




Conversa de nós dois

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Os olhos conversavam, mas quem estava ao redor não percebia. 
Ela piscava duas vezes "sim", uma "vez" não. Ele coçava a cabeça "talvez" e piscava "não". A conversa animada ao redor e os dois num diálogo feroz. Sem que notassem as mãos cruzaram, os braços se tocaram e assim cada parte do corpo foi comunicando ao mundo. 
A mesa ficou muda, os olhos espantados, os dois em silêncio se levantaram, se beijaram e deram adeus aos seus pares.


Olhos de nuvem

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Em meados de outono foi a primeira vez que vi Carolina. O vento frio chicoteava a alma, eu passeava despreocupadamente pela orla, estava distraído com o barulho das ondas. Todos os sábados, saia às seis da manhã, indiferente às intempéries não quebrava a rotina. Dar uma volta pelo bairro era quase uma religião, um ritual de abstração. Na época atuava como fotógrafo. Os primeiros momentos do dia propicia a luz é ideal. Vi ao longe uma figura diferente, parecia uma estátua, estava sentada de costas para o mar, com os pés fincados na areia, o rosto estava coberto por longos cabelos de fogo, aproveitei a câmera e tirei a primeira foto. À medida que avançava em sua direção eu a fotografava. Fiquei menos de um metro de distância, O vento atiçava os cabelos rubros, mas ela não mexia nenhum músculo. Fiquei hipnotizado, não sei por quanto tempo, de repente, ela virou a cabeça em minha direção. Como as espumas eram chupadas pela areia aquele olhar me tragou. Olhos de nuvem me surpreenderam. Entã…

Obstáculos

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Eles apareceram em meu caminho. examinei-os  com cuidado e respeito, mas percebi que nada é intransponível.
Então  tirei os sapatos  afiei as garras pulei os espinhos.
Não sai ilesa  não fui perfeita só continuei seguindo.

Malogro

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Em único momento de lucidez pegou os trapos, os livros favoritos e algum dinheiro. Carregou no peito todo o remorso encharcado de whisky,  gritos,  socos e pontapés.
Foi-se sem dizer adeus, nenhuma palavra de consolo. O silêncio preencheu  o discurso eloquente de despedida.  O sorriso no canto da boca, os olhos áridos, pés calcados no inferno foram as únicas lembranças deixadas.
Cada movimento em direção do futuro se desmanchava a  carcaça que sua alma velha sustentava.

Mulher

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Sem medo de ser
quem eu sou.
Encaro a vida
meu caro.

Não peço
licença
não dou
indulgência
sou dona
do meu espaço.


*Parabéns para nós. Mulheres.Pela 1ª vez no Brasil, Marcha Mundial das Mulheres .Encontro Internacional reunirá 1,6 mil mulheres de 45 países no Memorial da América Latina, em São Paulo


Vivendo

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Parou para admirar o céu.
Sentiu a brisa.
Molhou os pés.
Lançou-se ao léu.
Enfim,
conduziu sua vida.




*Inspirado em Perto do Coração Selvagem, Clarice Lispector

"...tu és um corpo vivendo, eu sou um corpo vivendo, nada mais. (...) cada um com um corpo, empurrando-o para frente, querendo sofregamente vivê-lo."

In verso dígito

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Reverso, o lado oposto ao lado principal
ao verso a face oposta
ao avesso àquele que primeiro se observa
ao oposto ao que antes se mencionou
ao reverso da medalha
ao verso que antes se observou.
ao desejo que nunca se concretizou.

*Inspirado no poema Dactilografia de Álvaro de Campos (Heterônimo de Fernando Pessoa)  in Poemas "

"Temos todos duas vidas: 
A verdadeira, que é a que sonhamos na infância, 
E que continuamos sonhando, adultos, num substrato de névoa; 
A falsa, que é a que vivemos em convivência com outros, 
Que é a prática, a útil, 
Aquela em que acabam por nos meter num caixão. "