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Mostrando postagens de Maio, 2013

Iluminura

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corre nua
pela rua
imunda

crua pele
pés impunes
negrume

cria imune
depravada
defeca na calçada

corre pela
rua criatura
sem lume, nua.

by Lu Ribeiro

Espelho

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Sem pretensão deposito em meus textos
tudo aquilo que acho que sou
invento pequenas histórias
sobretudo daquilo que não vivi.

Sem pretensão
fujo das imitações
dispo cada cicatriz
diante dos olhares desconhecidos

Sem vontade
de ser o outro
dos sonhos de alguém
prefiro ser eu mesma 
Uma simples pessoa
que sem pudor
chora suas dores
e ri dos seus ridículos

Sem pretensão
de ser o que não sou
navego por conta própria
nos medos de quem ousou.


by Lu Ribeiro


*Norman Rockwell era muito popular nos Estados Unidos, especialmente em razão das 323 capas da revistaThe Saturday Evening Postque realizou durante mais de quatro décadas, e das ilustrações de cenas da vida estadunidense nas pequenas cidades.
Pintou os retratos dos presidentes Eisenhower, John Kennedy, Lyndon Johnson e Richard Nixon, assim como o de outras importantes figuras mundiais, tais como Gamal Abdel Nasser e Jawaharlal Nehru. Um de seus últimos trabalhos foi o retrato da cantora Judy Garland, em 1969.

Sem tempo

Sem tempo para ser feliz,
deixa-se levar pelas horas
contempla nos outros tudo que sempre quis.

Sem tempo para ser feliz
deixa-se de pedir perdão
na boca só tem a palavra Não

Sem tempo para ser feliz
deixa-se de ouvir uma canção
 ruídos, lamúrias, sofreguidão.

Sem tempo para ser feliz
deixa-se de comer um "Bis"
lamentando do peso infeliz.

Sem tempo para ser feliz
deixa-se de andar de pé no chão
para não pegar um comichão.

Sem tempo para ser feliz
dita a moda, as horas, ditadura do tempo
disritmia do pensamento

... lento movimento ...
... quase feliz ...
Ufa! Foi por um triz!

by Lu Ribeiro




Coisas de menino

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"- Sai daí garoto!" Ele fingiu que não ouviu, continuou amarrando as perninhas finas da rã. Entretido com o nó de marinheiro que aprendeu com o seu irmão mais velho. Acreditou que desta vez, as danadas não iriam escapar.  Por cada rã capturada a Dona da Quitanda iria "pagar" com linhas de pipa, papel de seda, cola, bolas de gude, balas e até algumas vezes dava um "mineirinho"*, mas isso dependia do humor daquela senhora, sem contar que a fiada tinha que ser de rãs graúdas. Havia dias que a barganha era difícil, "Oh! mulherzinha dura na queda!" reclamava o menino. Concentrado no seu trabalho o garoto, dizia consigo "este nó tem que dar certo", essa certeza interna era motivada pelo desejo de trocar "meia dúzia das graúdas" pelo tabuleiro de jogo de botão que a Dona acabara de pendurar na porta do seu estabelecimento aquele dia.
Lu Ribeiro 

Nota:
*mineirinho =  é um refrigerante brasileiro com extrato de guaraná echapéu-de-couro, f…

Sol, Céu e Mar (micro-conto)

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Vestiu-se de sol, passou um batom róseo nos lábios e saiu. O coração saltava-lhe da boca, o tornozelo doía, era uma tarde quente de verão. Não pensava direito deixava-se levar pelo desejo, o simples desejo de ir.
A cabeça aturdida lembrava-a do compromisso no trabalho, afinal esta era sua primeira oportunidade, não deixaria escapar. Carregava grossos os livros nos braços, mas o peso estava na consciência.
Pegou um taxi desceu uma quadra antes do local marcado. Seus passos nervosos denunciavam os seus medos, mesmo usando óculos escuros sentia que todos a reconheciam, um misto de medo e alegria, movia o seu corpo na direção certa.
De longe avistou o homem vestido de céu, “- Meu pedacinho de infinito” disse bem baixinho; neste instante ele virou em sua direção sorrindo. Não trocaram uma palavra, simplesmente mergulharam um no outro, se amaram no verde mar.

by Lu Ribeiro

Rebelião

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Não aceito as palavras que  tu pões em minha boca Tuas verdades falsas Tuas mentiras verdadeiras.
Não adianta não aceito! Dispo-me de preconceito Submissão do meu desejo.
Algoz mordaz que silencia a minha fala Atroz amarra que me imputa A final  tu és um filho da Puta
Pensando bem, nem puta merece um filho assim.

by Lu Ribeiro

A bolsinha amarela de gato

De repente, o toque em meu dedo esquerdo fez a mente voar. Retrocedi as horas, os dias, os anos e, então, me deparei com seis anos de idade na sala de artesanato no fundo da Igreja São José. Vi nitidamente os rostos, as mãos, as bocas, os olhos, as linhas, as lãs, as agulhas, as receitas, as cadeiras, as revistas, as janelas abertas em mim. Imagens animadas há muito tempo perdidas. Um quadro vívido de um momento esquecido, onde o sonho não tinha limites e medos.  Vejo uma saia vermelho-cereja, pernas morenas e aconchegantes. Eram as pernas de minha mãe. Eu ali sentada no banquinho perto delas, que eram o meu apoio, acalanto e porto seguro. As mocinhas frequentavam as aulas de artes manuais, porque na maioria dos casos suas mães, avós, tias e primas também estavam ali. Era costume de aquela comunidade suburbana incentivar a tradição do artesanato. Outras estavam ali, pois era única forma de sair de casa, visto que naquele tempo  não era permitido as “meninas de família” bater pernas na r…

Ode às Mãos

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Mãos minhas
mãos suas
mãos frias
mãos nuas

mãos que afagam
mãos envolventes
mãos que cuidam
mãos coerentes

mãos que encantam
mãos indecentes
mãos que trabalham
mãos dormentes

mãos que traçam
mãos ardentes
mãos que ensinam
mãos  experientes


mãos que cingem
mãos dolentes
mãos que matam
mãos inocentes

mãos que falam
mãos eloquentes
mãos que leem
mãos sapientes

mãos
muitas são
mãos simples
simplesmente mãos.










Parque Lage

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O toque mágico vem à tona os risos impressos na alma paro o tempo retrocedo as horas.
Os momentos suspensos no ar o tempo  recém-construído  velhos sonhos sinto o peso dos livros.


by Lu Ribeiro


Síndrome de pavão

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"- Onde estão os meus defeitos?" lembro-me desta pergunta toda vez que eu vejo alguém se pavonear. É engraçado como as pessoas do tipo "pavão" gostam de exaltar os seus feitos, suas habilidades, sua suposta sabedoria,... vivem intensamente o seu umbigocêntrismo.
Há pavões que gostam de exibir seus bens como "roupas caras", "carros importados", ... ostentam os bens como se fosse algo precioso, de valor ímpar, ou seja, atribui as coisas o efeito de seu caráter. Agem como se fossem melhores do que aqueles que usam roupas simples, que não possuem carros,... Agarram-se aos objetos como se fossem seu cartão de visitas,  a razão de viver e valor  humano. Há pavões que gostam de expor sua sapiência, seu academicismo, sua "alta-cultura",... possuem um falar empolado, torcem o nariz para a cultura do povo, reprovam as variações linguísticas, censuram tudo e todos. Eles são esnobes acreditam "nas suas verdades" e superioridade de suas con…

Historinha do coração

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Perto do coração montei minha cabana de palha veio uma paixão ardente  queimou, não durou nada.
Perto do coração instalei minha oca de tábua veio uma avassaladora paixão derrubou não sobrou nada.
Dentro do coração construí minha casa de argamassa veio uma paixão louca bateu na porta  levou um não na cara.
Dentro do coração agora a casa está arrumada feita de amor próprio Fé em Deus Não preciso de mais nada.

Renascer

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Cai, o destemido  herói em prantos Traz em sua alma seu langor  e desencanto Iluminado pela cegueira da paixão Descobriu em sua amada o sabor da desilusão.
Aluado por parcos cantos Sobrevivente de perdidos encantos Vagueia por entre árvores secas de ilusão Vai, o menino livre de compaixão.
Reina a paz estranha dos desapegos Surgente das perdas, soma dos erros Nasce o homem novo de coração Vai buscar noutro amor, sublime paixão.


A cidade sem Jus

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A cidade Luz se apaga
a liberdade é estupor
a fraternidade  é avessa
a igualdade multicor.

A luz da cidade se apaga
Imersa nas trevas
do abuso do discurso
do primado do terror.

Na cidade luz paga
a liberdade com ruas de dor.
Na cidade sem luz
a fraternidade dá lugar a  iniquidade.
Na cidade 
igualdade não tem mais jus.









Quadrinha I

Sujeitinho canhestro  esse tal de Despeito. Bota defeito em tudo, só não corrige seu erro.

Quadrinha pra ninar

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Para Roberta Ferrão 
Tanto te desejei
e agora sou correspondida.
Tanto sonhei
e hoje tu és minha vida.

Lindo anjo,
minha princesa,
minha filha,
Maria Rita.

Meu anoitecer

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anoiteci
tão intensamente
tão insanamente
tão de repente

anoiteci
tentando esquecer
prescrutando cada olhar
procurando você

anoiteci
o corpo inteiro
desnudando suas vestes
meu único desejo

anoiteci
em cada não
em cada perdão
em cada pedido de compreensão

anoiteci
lentamente
e tão subitamente
que me perdi de você.




Quinta-essência

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Sinto o peso das palavras
vertem lágrimas
perdidas entre os suspiros.

Sinto o penar do tempo
vento alísio
fracasso dos meus delírios.

Sinto o sussurrar da saudade
veia cava
pulsar fraco do meu coração partido.