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Mostrando postagens de 2015

Esperando ...

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Nestes tempos modernos os tradicionais cartões de Natal foram substituídos por mensagens instantâneas e com isso foi perdido todo o trabalho que antecedia tais como: ir até uma pelaria, escolher o melhor para cada pessoa, depois pensar no que vai ser escrito, enfrentar aquelas filas co correio para postá-las,... Marta sentia falta disto, talvez a distraísse, talvez a ansiedade diminuísse, talvez...  Ela aguardou o dia inteiro por algum sinal, uma mensagem banal, mas as horas passaram e nada. Enquanto as pessoas ao seu redor trocavam presentes e felicitações, ela imprimira um sorriso artificial muito distante do espírito de Natal. Os olhos continham toda uma esperança infantil e ao dobrar os sinos da igreja anunciando o nascimento do Menino Jesus acendeu-lhe uma centelha de esperança " O amor, por certo, estaria perto de chegar".

Ao tempo

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quero que o Tempo seja paciente comigo
não me exija soluções práticas
não me roube o juízo


quero que me acolha
não deixe que sangre o coração
e nesta fase tempestuosa
me conceda a temperança


quero que nenhum sentimento apareça
não encontre o solo fértil da insegurança
que o medo me liberte
que o fluxo siga leve.


quero a paz de espírito
Tempo seja companheiro
que não resida em mim o desespero
quero dormir feito criança


quero viver um dia  por vez
e só.

Em cacos

Deixou o último grão cair
com o dorso da mão esquerda
enxugou a lágrima que escorrera
catou os cacos do coração
ficou em silêncio
mais uma vez
o amor lhe abandonara.

sem camuflagem

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o silêncio preencheu o vazio
o sentimento ficou esvaziado
a teia da rotina não reteve nada
rompeu-se os dejetos escondidos

no bunker das aparências
a relação se desfez


talvez possa existir um futuro
sem mágoas
mas o tempo que dilui a memória
se incumbirá de iludir o coração

A Escolha

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A dor não era no corpo. O que lancinava era a alma, pois se perdera do seu par. Foi um pequeno vacilo. Titubeou na bifurcação, escolhera por medo a direita e o outro optou pelo sinistro coração.

a bela da tarde

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quando dei por mim o dia tinha evaporado a tarde se estendia rósea o suor do corpo denunciava: o amor residiu em mim.

táctil

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desejo
dedos
aventura corporal

gozo
loucos
viagem surreal

contradições

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o que nos atrai olhar
remói
o que nos afasta
dói
o que nos permite rejuvenescer
constrói
o que não ousamos dizer
corrói.






Nua

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dei férias aos problemas sai nua sem pensamentos ruins



privilegiei as oportunidades burlei as dificuldades optei ser livre enfim.


Homem Perfeito

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perdi a consciência
amnésia da decência
pontos em ebulição

pés, dorsos e peitos
avesso acesso perfeito
intenso, deleite, enlouqueço.






Exploradores

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percorreu o corpo
hábeis mãos de mestre


beijos leves
deliciosos, vorazes


a cada toque
um desejo
concedido


a cada suspiro
um gemido
contido


aventureiros em perigo
sujeitos ao exílio
movidos
por suas vontades













Sem acordo

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Acordo sem  acordo sobre as confissões das imperfeições das angústias agruras

toda a química que na pele transpira atiça
faz gozar e  pronto.

o vento me disse

o vento de ontem
me fez lembrar de você
o silvo parecia a sua voz


um leve frescor arrepiou-me
senti suas mãos me tocarem
um pequeno redemoinho apareceu
eu o vi em minha frente
tentei em vão beijá-lo
para o meu desapontamento
só o silêncio a me confrontar
o imenso abismo
que tende nos afastar.

amor clandestino

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por vezes tomo uma dose de coragem
e neste instante de insanidade


esqueço das barreiras
perco as estribeiras
em pensamento te roubo


sem nenhum remorso
imponho-te meus gostos
gozos, risos e corpo


incontestável leveza
sonhos de um amor
feito de desencontros


imperfeito na essência
clandestino por excelência


desejo-te,
mas não te conto.

nem flor, nem náusea

nada em mim é obstante
tão insuficiente de alma
os resíduos de ontem
perdidos em sonhos
ressoam em minha fala

grito seco de fome
fronte em pedaços
raros desejos
sorrisos parcos




saudades

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o aconchego dos teus braços
é um oásis só pra mim
utopia de quem ama
cria o paraíso dentro de si.



Per verso

e cada palavra
espremida pelo
canto da boca
exposta pelo
sorriso dos olhos
exulta meu anima
põe na baila
a paixão

Memórias encarnadas

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o piso de paquete
as paredes brancas
grandes arcos
o passado de braços abertos
as memórias encarnadas
guardiões silenciosos da saudade.

Vertigem

Quero a desobediência da paixão
todos os seus temores vãos
Quero a sutileza das mãos cobiçosas
toda experiência de artesão


Quero toda fugacidade do momento
O furor intenso
a vertigem
O delírio
a explosão

FIEL

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Finges que não me vê
Ignoras o que sinto por você
Não percebes a minha ternura
Não sabes o que nutro por ti doce loucura
Toda vez que chega em casa
Eu o benfazejo
Abano o meu rabinho
Lambo te todinho
Ah! Como me faz bem quando te vejo.



Amores modernos

Ele mal completara 21 anos e novamente apaixonado. Não a conhecera pessoalmente o amor era puramente virtual. Por mais que tentasse não conseguia um encontro real.
Antes ela estava cuidando da avó doente, depois era ele que estava ausente.
E agora próximo ao seu retorno por puro capricho do destino brigaram por ciúmes bobos. O coração dele ficou em pedaços e o dela enigmático. Por algum tempo andou enlutado.
Até que passado o tempo, uma carinha apareceu em um bate papo. E um outro encontro virtual aconteceu. Ele está novamente enamorado.




Vingativa

Nervo exposto
resposta obvia
Não! Escroto!

Novembro...

Novembro chegou. Minha avó dizia, "Pietra, minha filha, esse é o mês do expurgo, mês pesado,..." Eu ouvia mais não dava atenção, lembro-me com muita clareza desses ditos, ou melhor, dizendo, previsões. Muitos anos depois, eu já havia constituído família, morava um apartamento espaçoso em Olinda de frente pro mar.  Era Novembro 2013, estava animadíssima para o Natal. Optei por fazer toda ornamentação artesanalmente, afinal meses antes fiz cursos de bordados, bonecos, ... Queria por em prática tudo o que havia aprendido. Os meninos estavam entusiasmados Pedro, João e Thiago, só falavam nos desejos do dia de Natal, Pedro gostava de bolo de nozes, João preferia bolo de chocolate com cobertura de chantili e Thiago, o menor, comia tudo que tivesse.  O pai das crianças era bancário, e nesse período, chegava à casa muito estressado. Então eu parava de fazer "arte" e dava atenção a ele. Contudo, ele carinhosamente me dizia que nem iria jantar e preferia dormir de tão exausto. E…

Amor Antigo

hoje um amor antigo apareceu
chegou com pequeno aviso
abalo imperceptível
mas de algum jeito
ele percebeu.

Nota de Falecimento

o nosso amor não morreu ontem
foi desfalecendo a cada traição
hoje meu bem,
nem choro, vela ou caixão
o nosso amor virou desilusão.

olhos siameses

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desnuda-me quando sorri olhos siameses escondem
tudo que quero ouvir essas mãos que não me tocam cala-me a boca eu, tola, imagino que me deseja mesmo assim.

A solidão

A solidão acompanhada costume invadir-me a alma em momentos de pura felicidade. Desejei tanto estar enganada. Mas que nada! A solidão estava decidida em minha vida morar.

Imperfeita

refeita em lágrimas
espera por mais


lições em pauta


preces generosas
perdas demais.

Acho que te amo

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quando não ouso
encarar o teu olhar
quando não falo
coisas pra te agradar


quando não te abraço
pois o desejo é beijar.










Embriagada

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o copo vazio
o corpo cheio

sede de amor

:




o corpo extenuado
expõe as perdas
ausente de sentimento
vaga pelas ruas
a cada esquina
uma nova redenção
alguns trocados amargos
barganhados por pão.


vendendo o corpo





Esquecida

Perdida num labirinto de palavras
buscou em vão encontrar a primeira
a que foi sussurrada pelo vento
a que foi escondida pela memória.

Morte e Vida da palavra

Matar o poema, matar a palavra  é encarcerá-la num gaveta, numa página. É perde-la na fonte da memória que a consciência apaga.  Morrer e viver é uma constante dentro do ventre chamado paixão. Que surge pelo desejo de ler, compartilhar, amar Por mais célebre que seja o texto,  ele perece no instante que termina de ser lido,  e renasce acada momento que relido, declamado ousadamente estampado é como ideia na bolsa de uma menina como tatuagem exposta na pele fina como miragem que explode  na leitura do corpo.

O carteiro

fiz questão de entregar a carta. Não imaginava o conteúdo, mas aquela letra redonda e firme definiam seu íntimo. Depois de muitos anos trabalhando como carteiro instintivamente ousava definir quem era o remetente de cada missiva.
porém aquela correspondência lhe cativara o coração, porque exalava uma suave fragrância que tocara a sua alma.
Que maluquice! Falou consigo. Estava com indícios de ciúmes do destinatário.
Andou por algum tempo até encontrar uma casa escondida entre as árvores. Chamou pelo nome Sr. Pablo! Sr. Pablo! Minutos depois apareceu um homem de idade avançada e ar plácido. Não conhecia o cidadão, porém todos do vilarejo comentavam sobre o famoso poeta que vivia recluso por aquelas paragens todos os verões.
Foi naquele dia que decidi que queria ser poeta.

Nem te conto

Nem te conto,
tentei escrever
o dia inteiro.
Nada ficou direito:
a frase parou no meio
o parágrafo ficou imperfeito
outro dia eu conto.



Meu anjo guardião

Meu anjo guardador,
hoje foi um dia de festa. Fui logo cedo à igreja, minha mãe sustentava-me a cabeça a cada cochilo que eu dava. O padre fez homilia mais alongada.
Depois da missa cumprida, voltamos à casa. Meu vô me deu uma bola nova, minha tia uma camisa irada, meu tio me deu algum dinheiro e minha vó fez moqueca e minha mãe deu-me um abraço bem forte e disse-me que minha vida estava abençoada.
Depois de tudo isso eu não devo pedir nada, mas pra ser bem sincero a coisa que eu mais quero é que meu pai volte pra casa.
Obrigado meu anjo guardião cuide de mim e de todos lá de casa.

éramos nós

Antes de nascer
a flor
o amor
a dor




éramos inocentes
sorríamos simplesmente
brincávamos alegremente
éramos pequenos crentes




Depois crescemos
viramos gente
com tempo perdemos
nosso referente




Hoje ...
somos maduros
procuramos um porto seguro
queremos ser meninos novamente.

Desejar profundo III

procuro um sentimento
que preencha a alma cansada
que supere os ressentimentos
que aqueça as madrugadas


persigo algo que transcenda
o corpo
o gozo
a vontade de estar apaixonada



Pedi aos meus alunos ...

Pedi aos meus alunos que fizessem uma redação, não delimitei o assunto, mas sugeri que utilizasse o coração para expressar o que estavam sentindo.  Muitos falaram sobre o medo de conviver num bairro perigoso, outros falaram sobre a situação familiar e outras preocupações de cunho econômico.  A medida que lia conseguia vislumbrar a justificativa de muitos comportamentos em sala de aula, por exemplo, consegui entender porque uma determinada aluna faltava tanto. A justificativa era simples, ela compartilhava o sapato com outras duas irmãs, logo quando uma ia a escola as outras duas ficavam em casa, pois não podiam comparecer sem o uniforme completo ( aqui em Salvador utilizamos o termo "fardamento"). Outro caso que me tocou foi de um menino que durante as aulas sempre dizia que queria ser presidente, não tinha outra profissão para ele, a questão era ser presidente do país e ponto final. Lendo a sua redação percebi que ele vivia em quase abandono emocional. A mãe separou do pai e …

Para quem me lê

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Boa noite/ Bom dia,
Vejo que há pessoas que acompanham os meus escritos, muitas vezes são surtos imaginativos, outras palavras um tanto desconexas. Lançar palavras na Web, tem a mesma ideia das palavras lançadas ao vento, parece não ter sentido, parece que vivemos só.
Hoje estou especialmente, comovida, sensível, ... ler as notícias é um verdadeiro tormento, violência para todos os lados, violência de todos os "desgostos"... dentre tantas quero falar de uma que me atinge no âmago. É a violência contra à mulher, hoje mata-se mulheres como se matasse baratas. Os motivos são os mais torpes, mais estúpidos, mais covardes,... A lei Maria da Penha é uma pontinha de vitória contra a impunidade, mas há muito a ser feito. Gente vamos denunciar nossa omissão permite que muitas Anas, Marias, Elizangelas, Fátimas,... sejam brutalmente violentadas e mortas.
Hoje, estou triste porque os índices não param de aumentar e nada acontece!
Lu Ribeiro

Elza Soares interpreta Maria da Vila Matilde


Tinha quase quinze e acreditava ser muito madura para sua idade. Não achava graça dos meninos que estudava com ela e muito menos se interessava pelos garotos de seu bairro.
Sonhava com os protagonistas dos romances, suspirava por eles.
Por hábito lia nas aulas de exatas, até que um dia foi pega em flagrante pelo professor de desenho geométrico, conclusão foi expulsa de sala e encaminhada para sala da coordenação.
Enquanto esperava a punição chorava disfarçadamente, pois era uma aluna exemplar. Os pensamentos de Emma foram interrompidos pela risada de alguém que em seguida disse: Há uma primeira vez para tudo, pare de chorar boba. Emma arregalou os olhos e percebeu que ao seu lado estava Miguel. Ele era o garoto mais chato que conhecera. Estudavam juntos desde a quarta série e durante esse tempo ele implicava com ela. Chamava-a de cabelo de espana lua, cara de lua, boneca de cera,... Ah! Como odiava ele!
E assim com. tudo isso na cabeça virou pra ele e disse: vá para o inferno!
Ele…

Lua solidária

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Nos últimos dias irritada
ontem irada.

A lua solidária
por instantes
eclipsada
sangrava.

Surto

o desejo cochichou me um segredo:
todas as vezes que andava distraída
ele me acompanhava as escondidas
cada passo era seguido por um suspiro
cada curva contornada era motivo de alívio
cada rua era uma surpresa
mas foi no beco
que perdeu o tino.

A onda

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Quando percebi a onda vinha em nossa direção,
 corremos o mais rápido possível,
 dobramos a esquina,
 pegamos a rua adjacente,
 mas foi em vão 
a paixão pegou-nos em cheio.

 Em fração de segundos estávamos submersos pelo desejo.


tesão

é barulhento
esse pensamento

é tão ruidoso
desisto de ser cuidadoso

expele desejo 
assombra o medo

quase revela segredos 
eita! Barulhinho gostoso

Pedido

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Queria me apaixonar novamente
queria sentir arrepios
formigamento no estomago
sentir borboletas me conduzido

E,todas as vezes que nele pensasse 
o mundo mudasse
tornando-se cada vez mais florido.


entrego-me por inteiro
tenho o acaso como
meu fiel escudeiro
em cada letra
me transbordo
sem reservas
em versos me mostro

assombro

a tarde preguiçosa
atrai meus pensamentos
lentos me deixam à sombra
sobram apenas saudades



grito de independência

hoje a independência
foi minha
meu grito de agonia
foi aplacado
meu céu coroado
hoje sou muitas
minha mãe
minha tia
minha prima
minha luta
hoje eu grito
chega de covardia
chega de sexismo
chega de porrada
chega de ironia
hoje a independência é minha.




(minha simples homenagem a todas as mulheres vítimas de violência)

Primavera

ela se aproxima
seu cantarolar
a anuncia
antes mesmo
de se apresentar


é tão bela
que tudo
a reverência
cada ser
desse lugar


quem é ela?
muitos estão
a me perguntar


prontamente respondo:


é a rainha bela
majestade Primavera
que veio nos visitar.



frágeis

laços afrouxados
ressentimento aumentado
sentimentos desgastados
trocas de desilusão

perversa

pelo avesso
acerta
pelo erro
nega.

Poema Cru

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quero um poema áspero
sem sentimentalismo
sem nuances 
sem forma bem talhada



quero toda crueza
nenhum aspecto de beleza
sem candura
sem melodia


quero que sangre
sem piedade
sem resquício de vaidade
sem medo  em fim.

pari o futuro
sem alarde
sem medo


nasceu velho
sábio
e mudo


não sobreviveu muito
desfaleceu ao amanhecer
de sua prima irmã
Saudade.

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Engasguei
Tossi
raspei a goela
expeli
poema bolado
feito gato
cuspi.

Faltosa

Falta-me a paciência
falta-me o ar
falta-me a paz
falta-me a mar

Lara

Subiu as escadas no galope, aula havia começado. Era a segunda vez na semana que se atrasava. Sala estava cheia, mas a boa amiga Verônica guardava um lugar. Da melhor maneira possível, desviou dos colegas. Assim que passou pela quarta fileira, seus livros caíram sobre Antônio, imediatamente começou a pedir mil desculpas, mas sua boca foi silenciada com um beijo.  O beijo durou uma fração de segundo, foi tão intenso que a fez perder o fôlego, o chão e principalmente a cabeça. Foram os gritos dos colegas que a fizeram despertar. Ao abrir os olhos percebeu o que havia acontecido, quis sair correndo, mas suas mãos estavam seguras e as pernas bambas. O rosto ficou em chamas, abaixou a cabeça e desabou na cadeira ao lado da amiga. Verônica balbuciou alguma coisa, mas não conseguiu entender,  sentia raiva de si, como pode permitir tamanha ousadia.  Assim que, o professor entrou na sala, a balburdia acalmou, Lara tentou prestar atenção, ficou calada o tempo todo, não tirou os olhos do professor…

sótão

Lentamente entrou no corredor, virou a direita e desceu as escadas. Alcançou o porão mal iluminado e praticamente vazio, o único móvel era um baú velho.
Abriu a tampa com cuidado e junto das coisas desfolhadas pelos anos encontrou a caixinha azul. Era lá que jazia a felicidade revelada nas poucas fotos. 
Lá tudo era perfeito lá,o amor valia mais.

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Em versos sonho
saudades esmaecidas
encontros supostos
palavras estanques
em versos tangem
sonhos de menina.

Coração de Pedra

Hoje sou pedra lisa indiferente aos inimigos inabalável pedra bruta muda pedra dura fria

A perfeição

Poesia é libertadora,
tábua de salvação,
por vezes,
pedra de tropeço
outros momentos
pedra de construção.

No compasso de Rosa

A voz de Rosa
embalou muitos
momentos meus
quando esses momentos
eram só seus.

pensamento livre

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liberdade plena, caso contrário cárcere disfarçado

Sobre Anatomia de Lem Lam

Olhar inteligente

decifra as ruas

interpola imagens


qual face é a tua?


Inspirei- me no poema de minha queridíssimaLem Lam no seu poema "Anatomia".

http://blogdaleelam.blogspot.com.br/2015/08/anatomia.html?showComment=1438975953994#c3522840805558384831

MEDO

a trave nos olhos
entrave na vida
limita
exclui
escraviza








A última palavra

Numa discussão acalorada
Plínio tem por hábito
dizer a última palavra.
Débora há muito tempo
andava chateada
Afinal ela era sempre a culpada

Até que um dia
percebeu a oportunidade
de passear na cidade,
percebeu o que a moda dita.
Vivendo nas cercanias
pouco via gente
e pouca gente havia.

Numa manhã de sábado
não por acaso
resolveu cortar as madeixas
eram inúmeras queixas
com o calor que fazia.

Foi ao salão da Gracinha
colega de longa data
desde os tempos de menina.
Sentou na cadeira e disse:
_Corte essa cabeleira
não aguento mais com calor,
minha querida!

Voltando pra casa
toda feliz da vida
deu de cara com Plínio
que pasmado
nada dizia.

Ele ficou parado,
ela com sorriso nos lábios disse:
_ Fiz o que queria.
Acabou!
Agora, a última palavra é minha!

mitigando

Coloquei no pilão
um punhado de hipocrisia
juntei pitada de fel
um pouco de mel
um tico de saudade.


Moi o medo
cunhei segredos
passei o dia todo assim.
Desejei o outro que não era eu que não era meu que era outro que era tolo porque queria ser teu.

Vende-se

a tristeza acampou em meu coração por esses dias
a felicidade foi embora, trocou-me por outra vida
a nostalgia quer morar comigo
a verdade passou por mim desapercebida
o coração está bagunçado
o pensamento está lotado
o amor está em liquidação.

Reminiscências de um sonho (parte3)

Guissepe ao chegar em águas brasileiras, sente-se cheio de esperanças. Olha a pequena Gioconda com ternura, mas ainda sente todo o fardo da tristeza, a lembrança de sua esposa. Teresa foi uma mulher maravilhosa, possuía uma personalidade dócil, que disfarçava toda a sua atitude de mulher mandona.
Ela gostava de organizar a casa com esmero,  no entanto, era  essa doce criatura quem gerenciava os negócios, Guissepe era um mero fantoche, cabia-lhe apenas colocar um sorriso no rosto e ser polido no trato com as pessoas. Teresa tinha um forte tino empreendedor fora criada para ser dona de casa, porém seu pai percebendo o jeito da filha lhe ensinou as escondidas a fazer a contabilidade, organizar estoque,... coisas que não cabia ao papel feminino.
Submerso em seus pensamentos, Guissepe não percebia as pessoas em seu entorno. Sua mente só questiona-lhe sobre a decisão em viver em terras estranhas carregando uma filha de seis anos e uma irmã viúva. Será o que o destino vai lhe reservar?...

Tímido

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Fico cá no meu cantinho
suspirando por um momento
em que distraída passa sorrindo
eu em silêncio lhe seguindo
com aquele olhar de quem deseja
um simples acendo tímido
ou sorriso benfazeja.

Ah! Aquele andar
desfilando que lindo!
Como bailarina fosse
brinca com meu íntimo
que vontade de tê-la
em meus braços
reitero que sou fraco
prefiro ser ignorado
do que por fim perdê-la.



Reminiscências de um sonho (parte2)

A pequena Gioconda  guardou na memória por muitos anos o passeio que fez no convés do Colombo com seu pai. Afinal, a dura viagem que se estendeu por longos dias dava-lhe a sensação de ter durado meses, e porque não dizer anos. Quando vapor deixou o porto de Gênova no inicio da primavera o calor já se pronunciara, mas a menina teria que usar vestidos escuros pois estava em estado de luto por causa do falecimento de sua mãe.Na verdade os vestidos incomodavam menos que o distanciamento de seu pai.
Giuseppe era um homem bem alto, educado e comunicativo tinha empreendimentos diversos, era respeitado por sua comunidade. Contudo, desde o inicio da doença da esposa ficou distraído. Seu semblante refletia sua agonia e preocupação. Quando a esposa veio a óbito estava sem forças e deprimido. Ficou aproximadamente vinte dias trancafiado no quarto, deixando sua única filha aos cuidados de sua irmã mais velha, Maria.
Maria cuidava da menina e de seu irmão com grande afinco, relegando sua vida pessoal …

Reminiscências de um sonho

Mariana fechou o livro, guardou os óculos, guardou os papéis e o lápis. Tentou fazer o mínimo ruído.
Sentia as mãos doloridas e os olhos cansados, mas o seu coração estava alegre. Valeu o sacrifício, finalmente encontrou registros de seus tataravós. E assim, pode reescrever a história de sua família.
Tudo começou com o vapor que saíra do porto ...

Madrugada

mergulho nos braços da solidão
o aconchego que me entorpece
não merece um só gesto de perdão.
Sem ressentimento entendo que
estar só não é viver fora da multidão
é o laço que se estende entre mim e ti
toda a serenidade da aceitação.


Balanço

Busco o equilíbrio
entre o desejo
e a sanidade.


O vai e vem intenso
retira-me o eixo
não me queixo


Algumas vezes
sou pêndulo
outras vezes
desequilibrada
mesmo.



Vorazes

não temo
tremo quando
me tocas


temos trocas
de olhares
de lugares


somos vorazes.

Condicionais

Se me habituo com a solidão
não significa que ser feliz é ser só
Se quero o silêncio entre as palavras
não significa que amo a palavra silenciada
Se prefiro o entardecer de cada dia
não significa que sou indiferente a Aurora que se anuncia.
Todas as condicionais dão liberdade as minhas contradições.










"Pouco amor, para muito tempo para amar." Parafraseando Nina Simone

Reflexo

A pior mentira é aquela que se faz diante do espelho. Forja-se um sorriso, mas a dor refletida nos olhos tende a mostrar aos mais atentos que o reflexo é falso.

Breves minutos

Ela hesitou um pouco, mas decidiu enviar a mensagem. A mensagem cifrada disfarçava a esperança de alguma resposta.
Depois de dois breves minutos recebeu a resposta " você está aqui? Diga-me onde."
Ela informou a sua localização e segundos depois ele apareceu. Desceu as escadas com desenvoltura e a medida que se aproximava o coração batia enlouquecidamente.
Abraçaram-se e o contato dos corpos foi único e durou para sempre na memória e no coração.
Ela tentou disfarçar, estava prestes a abandonar tudo e ir com ele.

Saltimbancos em duas rodas

Eles tiveram um amor de verão que por acaso virou uma amizade para vida inteira. Ela com todo romantismo que lhe cabe aos cinquenta. Ele com toda sabedoria dos seus vinte e cinco. Juntos movem o mundo, reviram os sonhos e plantam paixões pelas estradas do interior do país. Simplesmente eles são amantes da vida. Carregam na garupa de suas motos a generosidade, a alegria e o poder de fazer sonhar que se revela no sorriso de uma criança, que simplesmente os reconhecem por Timbumm e Tita.

As areias de Jeri

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Ela continuou a caminhar pelas dunas. A areia fina passava pela proteção da roupa e rasgava-lhe a pele.
O sol de Jeri era impiedoso com os mais fracos, parecia que o calor calcinava os ossos. Além disso, aumentava a sensação de carregar toda a culpa do mundo nas costas. Afinal, abandonara o marido nas vésperas das bodas de porcelana.
Esse pesar em particular fazia parte do ônus de sua escolha. Respirou profundamente, ajeitou os cabelos, prendeu o lenço sob o chapéu de abas largas, passou batom nos lábios e ornou-se com um sorriso franco. Depois, acenou para o seu amor que brincava de desmanchar as ondas do mar. Definitivamente estava feliz.


Salve, Salve o mês Junino

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tem cravinho
tem bolo de fubá
tem churrasquinho
tem muito pra dançá

Nesse mês Junino
tem festa no arraiá
pau de sebo
cabra cega
tem fogueira pra pulá

tem quadrilha ensaiadinha
tem fogos pra soltá
tem bandeira colorida
tem festa ao luar

Nesse mês Junino
no início São Tuninho
no meio São Jão
no final São Pedrinho
Ah! Tem festejos de montão.


O show

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o violão
a luz
o coro
a canção


o coração
a voz




o silêncio
a paixão


as mãos
o desejo
o beijo
a declaração




Single

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Pintei o quarto com tons de amanhecer
arrumei a cama com lençóis de seda vermelha
perfumei o quarto com flores de laranjeira
aguardei por horas a fio
noite inteira
solucei baixinho
amanheci sozinha
por fim,
outra vez solteira.


Ser de Luz

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repito o mesmo mantra
com novos pensamentos
meçocada inédito sentimento
como o ar que eu respiro

 cultivo a gentileza
   cristalinos desejos
     cria da natureza
       curvo-me
                  a sua realeza





Ganesha pertence à família de deuses mais popular do Hinduísmo. Ele é o filho mais velho de Parvati e Shiva. Parvati é filha dos deuses Himalayas, aquela cadeia de montanhas nevadas, que cobre o norte da Índia. Ela é uma deusa muito graciosa e linda, mãe bondosa e esposa devota. Shiva - bem, até mesmo seus amigos mais íntimos admitem, que ele não é um pai ou marido ideal. Shiva ama sua família de todo coração, mas a sua maneira. O que acontece é que ele não agüenta ficar em casa o tempo todo. Tem alma de aventureiro, gosta de viajar, mas a sua paixão é a meditação e o Yoga. Tanto, que quando absorto meditando, nem um terremoto o perturba. Shiva e Parvati casados, viviam muito felizes num bangalô no Monte Kailasa nos Himalayas, longe da civilização. Depois de algum tempo, Parvati percebeu…