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Declaração I

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Declaro aos nossos sentidos ardentes lampejos sonhos vincados,  falácias mudas meu desejo. LU RIBEIRO .

Todo ano a mesma coisa

Janeiro cheio de alegria e despesas muitas contas para pagar. Fevereiro folia na cabeça muitos blocos para pular. Chega março com suas águas e o outono anunciar. Abril achocolatado a dieta foi para o espaço. Maio as flores anunciam casórios e outros casos. Junho em festa Antonio, João e  Pedro arrrasta pés dos enamorados. Metado do ano , frio e chuvas Julho começado. Em agosto ventos, uivos, muitos cachorros, Omulu é reverenciado. Em setembro primavera Muitas florss, amor espalhado. Outubro salve Aparecida, doces crianças, somos abençoados. Novembro dos escorpianos e sagitários, Alegram-se os animos, festejos são esperados. Dezembro contagem regressiva fim do ano aproximando. Muita coisa para organizar os projetos acabando, outros tantos para formular. E nesse círculo incessante, Somos levados a cirandar É a vida que nos leva e fingimos não notar.

Sex olhar

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Sexo no olhar parece impossível, mas para quem ama Tudo é admissível Tudo é permissível, a alma entregar . Navegar nas palavras das horas perdidas. Naufragar as bocas ser “boquilíngua” ser ávida ser ilícita igual a do poeta sugado. das lágrimas colhidas do amor sentido da vida na praça olhares das bocas unidas do sexo feito do coito perfeito das promessas proferidas nossas almas se entregaram. Intangível Imensurável Sexo feito no anima. Do olho na boca clama Do mergulho sem medo no olhar. LU RIBEIRO ***Inspirado no poema "Sugar e ser sugado pelo Amor" de Carlos Drummond

Matinal

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O dia revela: O copo cheio de café, O pão com manteiga O chocolate com leite, O sonho deleite. Abro o jornal, aroma de café. Bom, por sinal. Você retribui   com sorriso dominical. Caiu café na toalha angelical. Não faz mal! Tão alva,  tão pura, tão estúpida. Pouso olhos sobre o jornal Os olhos da criatura fita-me de maneira desigual. Reflito: “Não faz mal...” Afinal ela prefere assim: simula que gosta, simulo que leio toda família comercial de margarina finge todos os dias que: O café é  ideal O pão é sensacional A margarina não tem sal. Lu Ribeiro

Gato Preto

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  Beco-Boipeba- jan-2010-by Luauribeiro De olho  no beco O gato preto Vela a paz do gueto. O preto gato espreita O rato brincando no bueiro. O passo largo, O medo, O preto camuflado, O cheiro de medo. O Tiro O grito O desespero. Mais um corpo estendido no beco, estreito, preto. Negro gato espreita Outro rato muito mais rápido. Espreita, espera a outra viela, assim nunca termina o cerco.       LU RIBEIRO

As bordadeiras

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Bordadeiras de Alagoa Nova/PB  Entre linho Cânhamo, sisal e juta. A tecelã vive de sua labuta. Mãos hábeis tecem verdadeiras lisuras. Entre linhas, Novelos, fios de seda. Desenhos lindos frutos da peleja da agulha com a linha  ferindo a seda. É necessária a fissura  pontua alinha no tecido fino da seda crua. Labor silencioso Paciente e caridoso. Na trama da biografia resultante da harmonia: mão atrevida perfurando a vida transformando dor em sobrevida. Lu Ribeiro

Aurora

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(Arquivo Pessoal- Orla de Salvador) Vá Aurora, anuncie um novo dia. Desperte a alma de quem vagou por toda noite. Despeça da madrugada abandone os furtivos amores. Venha Aurora, restabeleça a ordem de um novo dia, traga  a paz à uma noite mal dormida. Lance a terra seus primeiros raios Roube a sombra da noite fria. Seja minha amiga Aurora  cúmplice da minha vida penetre a janela dissoluta. Beije a face de meu amado Diga a ele:  Bom dia! Lu Ribeiro

A chuva

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As nuvens pesadas Anunciam: Tempestade à vista! Fora o frio, Fora o silvo, Dentro o sossego. O presságio  A turbulência, Aperto no coração Pare! Silêncio!  gotas frias  desferem  Pouco a pouco lágrimas indiferentes.  chuva em mim. Lu Ribeiro 

Homens

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Reflita: Há homens para casar outros somente para transar. Há homens para vida inteira, outros de uma noite e meia. Seja: Cuidadosa com os descolados, paciente com os apresados. Carinhosa com os amados Explosiva com os chatos. Escolha: Há alguns bonzinhos outros de trato fino. Há muitos de boemia, poucos para uma noite fria. Prefira: Homens de mãos fogosas, Homens de doces palavras, Homens de surpresas deliciosas. Lu Ribeiro

Extravio I

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Perdi o teu número Depois perdi o endereço Perdi a mente Perdidamente Partida Perdida Paria Faria Ferida Cicatriz Só resta o resíduo sobras que não servem para adubo. Uma pá de cal é o fim. Lu Ribeiro

Dois

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Os dois em julho O passo largo apressado passo pelo largo, bougainvilles serpenteiam, o jasmim dos poetas alardeiam: cochichos, lisonjeiros dos alaridos juvenis, dos sorrisos senis, da vaidade que presenteia, da bela falsa que passeia. Passo ao largo, largo um pouco de mim apresso o meu passo respiro fundo, esqueço o mundo, só penso em ti. Lu Ribeiro

Nossa Senhora

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A virgem O adro da igreja denuncia festa, quermesse e alegria. Do alto do campanário se vê pessoas, alamedas floridas. Dentro o silêncio  Tríduo a Nossa senhora Aparecida. A nave central régia. A virgem a contemplar à vigília. Uníssonas vozes alegres e chorosas, em perfeita harmonia. Bate o sino do campanário, Final de missa. As pessoas em silêncio, Em completa consonância, Erguem a Santa. Seguem do altar ao adro. O sino dobra. A procissão aclama: Salve, ó virgem Maria! Salve, Nossa Senhora Aparecida! Lu Ribeiro