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Talvez seja amor

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Qual o fio condutor que nos une enfim? Pensei exaustivamente; criei diversas situações inventei hipóteses de tanto matutar, confabular com os  botões que abriram em flor, nasceram com um pouco de dor, acredito por fim que seja amor.


Roda

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A pele que conquista
também aparta.
A palavra que regojiza
também cala.
A ideologia que ilumina
também mata.




Memórias caboclas

Falando para o vento
Palavras perdidas
no tempo,
memórias da ancestralidade cabocla:
do mutirão
o beneficiamento
da farinha
a fornalha acessa
do café pilado
da cana doce em tirinha.

Falando para o tempo
pedindo que refresque
histórias de Sophia
do medo da noite
do banho de tina
dos laranjais em flor
da menina que lá vivia.

Narcisa

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O ventre verte
rios de gozo
deleite-se
plena
presentei-se
serena
linguagem mútua
nua
simplesmente gosto.



Saciada

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Quando degustou a uva
fiquei excitada
lembrei-me daquela tarde escusa
quando lambeu-me
dos pés até os lábios
dos lábios grandes
ao meu ventre largo
sugando-me por inteiro
líquido quente celebrado
num gemido
num suspiro
clandestinamente desejado.

Lucrécia

Traga-me um cálice de veneno,
hoje vou matar você em mim
ceifar o sentimento
queimar o pensamento
eliminar qualquer resíduo
de lamento
chega!
de amar em segredo
degredo do coração
chega de perder o tempo
chega de caminhar sem direção.

Gilbertiano

Acordei gilbertiano o dia
abrindo os olhos com poesia
numa alegria incontida
pelo simples fato,
de ter sonhado contigo.

"E onde quer que eu vá no mundo, vejo a minha torre
É só balançar
Que a corda me leva de volta pra ela:"