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Mostrando postagens de Setembro, 2015

Lua solidária

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Nos últimos dias irritada
ontem irada.

A lua solidária
por instantes
eclipsada
sangrava.

Surto

o desejo cochichou me um segredo:
todas as vezes que andava distraída
ele me acompanhava as escondidas
cada passo era seguido por um suspiro
cada curva contornada era motivo de alívio
cada rua era uma surpresa
mas foi no beco
que perdeu o tino.

A onda

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Quando percebi a onda vinha em nossa direção,
 corremos o mais rápido possível,
 dobramos a esquina,
 pegamos a rua adjacente,
 mas foi em vão 
a paixão pegou-nos em cheio.

 Em fração de segundos estávamos submersos pelo desejo.


tesão

é barulhento
esse pensamento

é tão ruidoso
desisto de ser cuidadoso

expele desejo 
assombra o medo

quase revela segredos 
eita! Barulhinho gostoso

Pedido

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Queria me apaixonar novamente
queria sentir arrepios
formigamento no estomago
sentir borboletas me conduzido

E,todas as vezes que nele pensasse 
o mundo mudasse
tornando-se cada vez mais florido.


entrego-me por inteiro
tenho o acaso como
meu fiel escudeiro
em cada letra
me transbordo
sem reservas
em versos me mostro

assombro

a tarde preguiçosa
atrai meus pensamentos
lentos me deixam à sombra
sobram apenas saudades



grito de independência

hoje a independência
foi minha
meu grito de agonia
foi aplacado
meu céu coroado
hoje sou muitas
minha mãe
minha tia
minha prima
minha luta
hoje eu grito
chega de covardia
chega de sexismo
chega de porrada
chega de ironia
hoje a independência é minha.




(minha simples homenagem a todas as mulheres vítimas de violência)

Primavera

ela se aproxima
seu cantarolar
a anuncia
antes mesmo
de se apresentar


é tão bela
que tudo
a reverência
cada ser
desse lugar


quem é ela?
muitos estão
a me perguntar


prontamente respondo:


é a rainha bela
majestade Primavera
que veio nos visitar.



frágeis

laços afrouxados
ressentimento aumentado
sentimentos desgastados
trocas de desilusão

perversa

pelo avesso
acerta
pelo erro
nega.

Poema Cru

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quero um poema áspero
sem sentimentalismo
sem nuances 
sem forma bem talhada



quero toda crueza
nenhum aspecto de beleza
sem candura
sem melodia


quero que sangre
sem piedade
sem resquício de vaidade
sem medo  em fim.

pari o futuro
sem alarde
sem medo


nasceu velho
sábio
e mudo


não sobreviveu muito
desfaleceu ao amanhecer
de sua prima irmã
Saudade.